
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que acompanha a variação dos preços da cesta de consumo de famílias com renda mensal entre 1 e 5 salários mínimos, registrou variação de 1,48% em fevereiro de 2025. Este resultado é superior ao observado em janeiro de 2025 (0,00%) e em fevereiro de 2024 (0,81%). Com isso, a variação acumulada dos últimos 12 meses acelerou para 4,87%.
Entre os nove grupos analisados, quatro se destacaram. O grupo de Habitação (4,79%; 0,79 p.p.) apresentou o maior impacto, derivado do aumento no subitem de energia elétrica (16,96%; 0,69 p.p.) devido ao retorno à normalidade dos preços após a aplicação do Bônus da Itaipu no mês anterior. Em Transportes (1,11%; 0,22 p.p.), os responsáveis pela alta foram a gasolina (2,54%; 0,12 p.p.), devido ao reajuste nas alíquotas ad rem de ICMS sobre combustíveis, e o ônibus urbano (2,68%; 0,06 p.p.), pelos reajustes nas tarifas. No caso da Educação (4,45%; 0,20 p.p.), o aumento decorreu dos reajustes nos cursos regulares (5,58%; 0,18 p.p.) típicos desta época do ano. Em Alimentação e Bebidas (0,75%; 0,19 p.p.) destaca-se as altas no café moído (11,03%; 0,08 p.p.) e no ovo de galinha (15,39%; 0,05 p.p.). Entre os demais grupos, depois de Saúde e cuidados pessoais (0,54%; 0,06 p.p.), os impactos variaram entre 0,00 p.p. e 0,02 p.p.

O resultado de fevereiro (1,48%) esteve em linha com a nossa projeção (1,44%), confirmando as expectativas e os movimentos antecipados. Em energia elétrica, projetamos um impacto de 0,67 p.p., enquanto o índice registrou 0,69 p.p. Em relação aos cursos regulares, nossa estimativa era de 0,21 p.p., e o índice apresentou 0,18 p.p. Quanto aos combustíveis, esperávamos um impacto de 0,15 p.p., o que foi confirmado pelo índice. Vale ressaltar que grande parte da alta observada no mês foi decorrente da sazonalidade típica do período, com os aumentos nas mensalidades de educação, e de fatores pontuais, com o retorno dos preços da energia elétrica aos níveis habituais, após o fim do efeito do bônus, além do reajuste nas alíquotas ad rem de ICMS sobre combustíveis. Para março, não teremos essas influências, o que deve resultar em uma desaceleração no índice, com nossa projeção indicando uma variação de 0,55% para o mês.
Para o final de 2025, revisamos nossa projeção de inflação para 5,56%, com ajustes que reforçam o atual ambiente de incertezas e pressões inflacionárias provenientes de diversas fontes. As incertezas ocorrem tanto no cenário externo, sobretudo em decorrência das novas políticas do governo Trump, enquanto, internamente, a principal preocupação continua sendo a questão fiscal. Entre as fontes de pressões inflacionárias, o mercado de trabalho apertado continua a impactar os preços dos serviços, enquanto o câmbio elevado pressiona os custos, especialmente dos bens industriais. Além disso, os alimentos continuam preocupando, com pressões adicionais sobre itens específicos, como o café. Ressaltamos que seguimos monitorando os fatores que podem impactar as nossas projeções, com o compromisso de atualizar continuamente nosso cenário à medida que novos indicadores sejam divulgados e pelo acompanhamento de dados de alta frequência.
Fonte: Fecomércio-RS